Tiago Schietti, empresário do setor cemiterial e funerário, acompanha uma mudança de comportamento que vem ganhando espaço em diferentes gerações: o planejamento funerário. Durante décadas, conversar sobre finitude, sucessão e organização pós-vida foi considerado um tema desconfortável dentro das famílias. Hoje, porém, a realidade começa a ser diferente.
O aumento da expectativa de vida, a complexidade das relações familiares e a necessidade de evitar decisões urgentes em momentos emocionalmente delicados têm levado mais pessoas a considerar formas de planejamento antecipado. O tema deixou de estar associado apenas à prevenção de custos e passou a envolver organização, tranquilidade e preservação da vontade individual.
Por que as famílias estão planejando mais?
Uma mudança observável é o aumento da preocupação com questões práticas que costumam surgir após um falecimento. Documentação, definições sobre cerimônias e organização patrimonial frequentemente geram dúvidas quando não foram discutidas previamente.
Ao realizar um planejamento antecipado, as famílias conseguem reduzir incertezas e minimizar conflitos decorrentes de decisões tomadas sob pressão emocional. O benefício não está apenas na organização financeira, mas também na clareza sobre desejos e expectativas.
Comparado ao passado, quando esses assuntos eram frequentemente evitados, o cenário atual demonstra maior abertura para conversas relacionadas ao futuro.
O que ainda impede esse diálogo?
Um dos erros mais comuns é associar planejamento funerário à proximidade da morte. Na prática, trata-se de uma ferramenta de organização familiar semelhante ao planejamento sucessório ou à contratação de seguros. Outro equívoco recorrente é acreditar que apenas pessoas idosas precisam tratar do assunto. Mudanças inesperadas podem afetar qualquer família, tornando a preparação uma medida de responsabilidade e prevenção.
Essas percepções vêm sendo gradualmente substituídas por uma visão mais pragmática e menos emocional do tema.

Como o setor funerário está se adaptando?
A profissionalização do mercado impulsionou mudanças significativas nos serviços oferecidos. Empresas passaram a investir em atendimento consultivo, assistência familiar e processos mais transparentes. Além disso, a digitalização permitiu que informações importantes fossem organizadas e acessadas com maior facilidade. Isso reduz burocracias e melhora a experiência dos usuários em momentos delicados.
Tiago Schietti acompanha um segmento que busca oferecer suporte mais completo, indo além das demandas operacionais tradicionalmente associadas aos serviços funerários.
Qual a relação entre planejamento e qualidade do atendimento?
Quando existe planejamento prévio, as equipes conseguem executar procedimentos com maior eficiência e alinhamento às preferências da família. A consequência prática é a redução de decisões emergenciais, permitindo que os familiares concentrem sua atenção no processo de despedida e acolhimento emocional.
Esse modelo também favorece a personalização de homenagens, algo que se tornou mais valorizado nos últimos anos.
O papel da informação na mudança cultural
A transformação observada depende diretamente do acesso à informação. Quanto maior o conhecimento sobre as possibilidades existentes, menor tende a ser a resistência ao tema. Instituições do setor, entidades representativas e especialistas vêm contribuindo para ampliar o debate sobre organização familiar, sucessão e planejamento preventivo.
Tiago Schietti atua em um ambiente onde a educação sobre esses temas passa a ser vista como parte importante da evolução do setor funerário.
Uma tendência que deve continuar crescendo
O planejamento funerário reflete uma mudança mais ampla relacionada à forma como as pessoas organizam suas vidas e seus legados. Em vez de evitar conversas difíceis, cresce a busca por soluções capazes de proporcionar tranquilidade e previsibilidade.
Nos próximos anos, a tendência é que o tema ganhe ainda mais relevância, impulsionado pela profissionalização do mercado, pela digitalização dos serviços e por uma sociedade cada vez mais interessada em planejamento de longo prazo.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez