Estado deve colher 29,1 milhões de toneladas de grãos neste ano, com soja batendo novo recorde e balança comercial superavitária em maio.
Quem acompanha o agronegócio sul-mato-grossense tem motivos para observar os próximos meses com atenção. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) projeta que Mato Grosso do Sul encerrará 2026 com uma produção de 29,1 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas, crescimento de 3,56% em relação à safra do ano anterior, o equivalente a aproximadamente 1 milhão de toneladas a mais. A área cultivada também deverá crescer, passando para 7,02 milhões de hectares, alta de 2,89% na comparação com 2025.
Dourados, o maior polo agrícola do sul do estado, encerrou a colheita da soja 2025/26 em 223 mil hectares com produtividade média de 3.600 quilos por hectare, número superior à média do ciclo anterior. Segundo o departamento técnico da NovaConsult, consultoria que acompanha as lavouras da região, algumas áreas atingiram 5.400 quilos por hectare, enquanto os piores talhões ficaram em torno de 1.800 quilos por hectare. No conjunto, os resultados foram considerados positivos pelos produtores locais.
A força da soja e os números da balança comercial
A soja continua sendo o motor do agronegócio sul-mato-grossense. A estimativa do IBGE aponta produção de 15,7 milhões de toneladas para o estado em 2026, resultado 19,8% acima do obtido na temporada anterior. Esse desempenho reflete não apenas as condições climáticas favoráveis durante o ciclo, mas também a adoção crescente de variedades mais produtivas e técnicas de manejo mais precisas por parte dos produtores.
Os reflexos positivos já aparecem nos dados de comércio exterior. Em maio de 2026, Mato Grosso do Sul registrou superávit de US$ 802,2 milhões na balança comercial agropecuária, com exportações de US$ 993,3 milhões e importações de US$ 191 milhões, segundo boletim da Aprosoja/MS. A soja liderou a pauta de exportações, seguida pela carne bovina e pela celulose. Mesmo com a redução sazonal dos embarques de grão, característica do período após a colheita, o estado manteve saldo amplamente positivo. Um dado que chama atenção nas importações é a expansão das células fotovoltaicas, que chegaram à segunda posição, indicando avanço nas propriedades rurais com energia solar.
A cotação da soja em Dourados permaneceu estável em torno de R$ 115,00 por saca na segunda semana de junho, conforme dados acompanhados pela Safras & Mercado. O cenário no mercado internacional esteve pressionado pela condição climática favorável às lavouras dos Estados Unidos e pela queda do petróleo, o que reduziu o apetite por negócios. No entanto, o câmbio próximo de R$ 5,10 sustentou a competitividade das exportações brasileiras.
Como o produtor de Dourados pode se posicionar diante do mercado atual
Para quem trabalha no campo na região de Dourados, a leitura do momento atual exige equilíbrio. Por um lado, a safra foi boa e as perspectivas para 2026 são positivas em volume. Por outro, os preços internacionais da soja operam com cautela, pressionados pelo clima favorável nos Estados Unidos e pela oferta abundante da safra brasileira ainda em circulação. O analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, apontou que os negócios no mercado físico seguem travados, com poucos lotes sendo fechados no dia a dia.
Nesse contexto, diversificar a pauta produtiva surge como estratégia crescentemente adotada na região. O sorgo, por exemplo, ganha espaço nas propriedades de Mato Grosso do Sul como alternativa à soja na segunda safra, pela resistência a períodos mais secos e pelo custo de produção menor. A integração lavoura-pecuária também avança, aproveitando a estrutura dos produtores que já atuam com carne bovina, outra das cadeias que sustentam o superávit comercial do estado.
Dourados mantém sua posição como um dos maiores polos agrícolas do Centro-Oeste, com infraestrutura de armazenagem, cooperativas atuantes e acesso à pesquisa agropecuária por meio da Embrapa Agropecuária Oeste, sediada no município. Essa combinação coloca o campo douradense em posição relevante para os próximos ciclos, especialmente com o cenário de câmbio ainda favorável às exportações.
Fontes: Capital News | Safras & Mercado | Campo Grande News
Autor: Diego Rodríguez Velázquez