Impasses em obra pública revelam entraves e custo para cofres de Glória de Dourados

Anastasya Sokolova By Anastasya Sokolova
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Em Glória de Dourados, no interior de Mato Grosso do Sul, a continuidade de uma obra pública fundamental para a saúde municipal virou um problema burocrático e financeiro. A Prefeitura tentou, por meio de processo licitatório, contratar uma empresa para concluir a construção de um laboratório de análises clínicas, mas o certame ficou sem interessados, deixando a obra novamente sem solução. O episódio lança luz sobre desafios de administração pública em cidades de pequeno porte, onde atrair fornecedores dispostos a assumir contratos públicos nem sempre é tarefa simples.

O empreendimento, orçado em mais de 130 mil reais, já havia passado por uma primeira fase de execução que não foi concluída mesmo após mais de doze meses de vigência do contrato original. O acordo inicial com a empreiteira responsável foi rescindido pela administração municipal depois que a empresa deixou de finalizar os serviços dentro do prazo previsto, obrigando a prefeitura a buscar uma nova solução administrativa para retomar a obra.

O resultado da nova licitação, publicada pela gestão municipal no final de dezembro, registrou que nenhum participante se inscreveu para disputar o contrato de conclusão dos trabalhos remanescentes. A concorrência previa não só a mão de obra para completar a construção física, mas também o fornecimento de materiais, equipamentos e demais insumos necessários para que o laboratório pudesse entrar em operação.

Para especialistas em administração pública, casos desse tipo costumam refletir a realidade de municípios com orçamento apertado e dificuldades de atrair empresas para serviços cujo valor final, especialmente quando comparado a grandes obras estaduais ou federais, pode ser considerado pouco atraente diante dos riscos e exigências legais envolvidos em contratos públicos. Além disso, diretores de empresas regionais muitas vezes ponderam sobre a viabilidade de logística, prazo e retorno financeiro antes de participar de certames licitatórios.

O custo já pago — mais de setenta mil reais aos cofres públicos — sem que o laboratório tenha sido entregue coloca em evidência também a necessidade de maior planejamento e monitoramento de obras públicas. A descontinuidade de contratos pode gerar desperdício de recursos, sobretudo quando a conclusão torna-se incerta ou depende de uma nova licitação que acaba sendo deserta. Esse cenário tem repercussões diretas no orçamento municipal e na confiança da população na capacidade de execução de projetos que impactam diretamente serviços essenciais.

Moradores e lideranças locais acompanham com apreensão os desdobramentos, já que um laboratório de análises clínicas em funcionamento na cidade representaria uma importante ampliação dos serviços de saúde pública, diminuindo a necessidade de deslocamentos e agilizando diagnósticos para a população. A inexistência de empresas interessadas no processo licitatório agrava o sentimento de estagnação e alimenta críticas à gestão da obra.

Diante da situação, o poder público municipal passa a avaliar alternativas para viabilizar a conclusão da obra, seja por meio de ajustes no edital, revisão das exigências contratuais ou novas tentativas de licitação. A comunicação entre administração, mercado e órgãos de controle também surge como elemento essencial para evitar que procedimentos burocráticos inviabilizem a entrega de serviços públicos e a aplicação eficaz dos recursos.

Até o momento, a prefeitura ainda não se manifestou oficialmente sobre os motivos que levaram à rescisão do primeiro contrato ou sobre os próximos passos para retomar o processo de conclusão da obra. Enquanto isso, a estrutura permanece inacabada e a população segue na expectativa de que medidas administrativas possam reverter o impasse e transformar o investimento em benefício concreto para a cidade.

Autor: Anastasya Sokolova

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